Tratamento
CANCRO DO PULMÃO
Cirurgia
O tratamento cirúrgico no cancro do pulmão pressupõe a remoção total ou parcial do tumor e dos gânglios linfáticos próximos do tumor. A cirurgia deve remover o tumor com uma extremidade circundante ou margem de pulmão saudável.28
O período de recuperação varia, dependendo da extensão de pulmão removido e da saúde do doente antes da cirurgia. Esta intervenção deverá ser realizada por um cirurgião torácico especializado.29
Para o tratamento do cancro do pulmão existem três tipos de cirurgias:28,29
A segmentectomia envolve a remoção do tumor juntamente com uma pequena parte do pulmão. É utilizada quando o tumor é pequeno ou quando o doente tem problemas respiratórios.
A lobectomia é a extracção total do lóbulo onde se encontra o tumor, sendo esta a técnica de eleição.
E a pneumectomia é a remoção de todo o pulmão afectado, utilizada com uma menor frequência.
Estas ressecções são acompanhadas por uma linfadenectomia do mediastino, que consiste na remoção dos gânglios linfáticos localizados entre os dois pulmões.28
No âmbito da cirurgia, esta pode ser complementada com o tratamento da radioterapia.28
Radioterapia
A radioterapia elimina células tumorais através de radiações ionizantes de alta energia, que podem parar o seu crescimento e divisão. Aplica-se como terapia local, onde se encontra o tumor,
ou noutras áreas além dos pulmões, caso o cancro se tenha disseminado noutros locais.28,30,31
O tratamento da radioterapia pode ser complementar ou alternativo à cirurgia, em certos casos, também pode ser escolhida como opção paliativa.28,30
Terapêutica Dirigida
Este tipo de terapêutica é utilizada em casos de cancro de pulmão de células não-pequenas e é dirigida para parar alguns processos como, por exemplo, a formação de novos vasos sanguíneos (angiogénese) formados para alimentar o tumor em crescimento ou para deter genes que participam no crescimento e desenvolvimento das células tumorais como, por exemplo, o gene EGFR (recetor do fator de crescimento humano), que é uma proteína encontrada em grandes quantidades nalguns tumores de células não pequenas, ou ainda o gene ALK, que em alguns tipos de cancro é reordenado produzindo uma proteína ALK defeituosa.28,32
Esta terapêutica como é dirigida a um alvo tem tendencialmente menos efeitos secundários.28
Imunoterapia
A imunoterapia utiliza as defesas imunitárias do próprio organismo para combater o cancro.28 Os medicamentos de imunoterapia facilitam o sistema imunitário (responsável pela defesa do organismo) do doente a reconhecer as células cancerígenas como estranhas e a eliminá-las.33
As células tumorais têm mecanismos para enganar o sistema de defesa do organismo. Por exemplo, apresentam na sua superfície uma proteína denominada PD-L1 que se liga à proteína PD-1 (indutora da morte programada das células de defesa), inativando as células T, evitando assim que possam destruir as células cancerígenas. Os medicamentos da imunoterapia são anticorpos que se ligam a estas proteínas impedindo a ligação das células cancerígenas e a inativação das células T.33
Deste modo, o sistema imunitário mantém-se apto para realizar a sua função, ou seja, reconhecimento das células cancerígenas como estranhas ao organismo e sua destruição.33 Alguns fármacos foram já aprovados para diferentes tipos de cancro como, por exemplo, o cancro do pulmão, o melanoma, carcinoma urotelial ou linfoma.33
Quimioterapia
O tratamento de quimioterapia utiliza medicamentos por via intravenosa ou por via oral para destruir células tumorais. O seu principal objetivo é curativo, mas também pode utilizar-se para fins paliativos, de forma a diminuir os sintomas da doença e a prolongar a sobrevivência do doente.28,31,34
Os medicamentos de quimioterapia, tal como a radioterapia, também podem danificar as células saudáveis do organismo. Significa que ocorrem efeitos secundários, nomeadamente que outras células, como as sanguíneas, as cutâneas ou os neurónios sofram danos, nomeadamente, uma diminuição do número de glóbulos brancos ou vermelhos, uma descida de plaquetas, uma infeção, perda de cabelo, lesões na boca e um entorpecimento ou formigueiros nas mãos e nos pés.28,31,34
Há mais de uma década que se tem vindo a investigar formas de prevenir e evitar os efeitos secundários da quimioterapia. Entre os avanços alcançados, encontram-se o desenvolvimento de antieméticos, que diminuem as náuseas e os vómitos causados por este tipo de tratamento, e de injeções estimulantes, que evitam que os leucócitos diminuam demasiado.35,45
Imunoterapia e Quimioterapia
Quando há uma probabilidade elevada do cancro não diminuir ou ser eliminado utilizando apenas medicamentos com os da quimioterapia para destruir o cancro.36
A quimioterapia ajuda a imunoterapia a funcionar melhor (ou seja, ajuda o sistema imunitário a reconhecer e a destruir as células tumorais), ao mesmo tempo que destrói diretamente estas células. Assim, estes dois tratamentos quando utilizados simultaneamente, têm maior eficácia no controlo da doença, devido ao seu efeito sinérgico na eliminação do tumor.36
Atualmente, já estão disponíveis algumas combinações de imunoterapia e quimioterapia. Adicionalmente, outras combinações estão a ser testadas em ensaios clínicos, esperando-se brevemente novas combinações terapêuticas no tratamento do cancro do pulmão.36
A combinação de imunoterapia e quimioterapia é somente utilizada na fase inicial do tratamento e pode causar efeitos indesejáveis, habitualmente referidos em cada um dos tratamentos isoladamente. Os mais frequentes são os que estão associados à quimioterapia. Dependendo do estado geral do doente, da existência de doenças associadas e de outros fatores, como o valor de PD-L1, o médico irá escolher a opção terapêutica (combinação de fármacos ou apenas um tipo de fármaco) que melhor se adequa a cada doente em particular.28,36
Cancro do Pulmão de células pequenas
O carcinoma do pulmão de células pequenas é um tumor muito agressivo, que se desenvolve rapidamente e geralmente apresenta metástases no momento do diagnóstico.2
A cirurgia para o cancro do pulmão de células pequenas não é por norma indicada, no entanto, o seu tratamento tradicional é quase sempre a quimioterapia, com a possibilidade de combiná-la com radioterapia, uma vez que muitos destes tumores são diagnosticados em estádios mais avançados.37,38
Cancro do Pulmão de células não-pequenas em estadios I-II39
O tratamento para doentes com cancro do pulmão de células não-pequenas de estádio I-II é a cirurgia, sempre que o estado geral do doente o permita. Os doentes com tumores no estádio II, III e alguns doentes no estádio IB, costumam receber quimioterapia posteriormente à cirurgia (quimioterapia adjuvante), com o objetivo de aumentar a possibilidade de cura e diminuição de recidiva.
Cancro do Pulmão de células não-pequenas em estadios IIIA39
O cancro do pulmão em estádio IIIA pode receber tratamento cirúrgico em função do estado dos gânglios linfáticos no mediastino (espaço que separa os pulmões) e do estado de saúde geral do doente.
Já se demonstrou o benefício de acrescentar uma quimioterapia antes da cirurgia (quimioterapia neoadjuvante), com um impacto na taxa de cura. Quando as circunstâncias adequadas não ocorrem, os doentes podem receber radioterapia combinada com quimioterapia.
Cancro do Pulmão de células não-pequenas em estadios IIIB39
Os tumores do estádio IIIB não costumam ser operáveis, pelo que a abordagem de eleição é a quimioterapia, a radioterapia ou um tratamento combinado.
Cancro do Pulmão de células não-pequenas em estadios IV39
Os estádios IV, com metástases à distância, são elegíveis para tratamento sistémico, alcançando melhorias clínicas importantes e com taxa de respostas objetivas, cujos principais propósitos são a melhoria da qualidade de vida e o aumento da sobrevivência.
O regime terapêutico a utilizar dependerá da situação clínica do doente e da potencial toxicidade que acompanha a terapia.
VEJA TAMBÉM…
Fatores de Risco
Tratamento
Diagnóstico
Cancro do pulmão nas mulheres
É UM(A) PROFISSIONAL DE SAÚDE?
Aceda a estudos, serviços, eventos e informação sobre tratamento de patologiasPT-NON-03641 01/2026